O Folhetim

Quarta-feira , 15 de Agosto de 2007

Elucubrações do Seu Totonho, um aposentado

 

"Hoje existe muita senha no mundo. Eu mesmo que já tô longe da vida produtiva econômica do meu país sou um homem cercado de senhas. Pra tirar a minha aposentadoria no banco eu tenho senha. Meu neto instalou internet aqui em casa e eu descobri que pra usar ele tinha que colocar senha. Na minha própria casa. Aí, eu sempre uso os mesmos números ou palavras. Às vezes eles requerem uma senha maior, aí lá vou eu e com muito custo acrescento mais uns dígitos. É muita coisa pra memória, e se você se enganar com uma senha no banco, eles vão e cancelam sua conta. Minha filha usou um método arriscado. Ela tem gravadas todas as senhas no telefone celular dela. Eu não faço isso. Primeiro porque não sei usar celular e segundo porque odeio telefone. Hoje em dia tem criança com telçefone na mão. Mas me diz, pra que um moleque precisa disso? Na minha época o negócio era amarrar duas latinhas com um fio. Aí era divertido, nosso telefone de lata. Mas esses meninos devem ter coisa importante pra dizer. Ah, devem ter, imagino a importância: "ganhei um brinquedo novo!". Telefone eu tenho em casa porque eu sou velho e se tiver um piripaque tenho que ligar pra pedir ajuda. Só isso. Mas não me liga pra contar história não. Conversar a gente conversa olho no olho, que é melhor. E ainda podemos tomar um cafezinho e comer uma quitanda. Mas hoje o povo também não tem tempo de ir na casa dos outros. Tem coisa demais pra fazer, inclusive decorar senhas. Porque, olha, só sei que tudo é senha, tudo tem senha. Se eu tiver que falar uma senha pra entrar no céu, já tô no inferno."


Escrito por Pablo Alcântara às 10h52
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