O Folhetim

Sexta-feira , 26 de Outubro de 2007

Soda no leite

Eu sou capaz de parar de comer carne, mas não de beber leite. Um dia vou dizer: “tá certo, vocês venceram, tragam os vegetais folhosos e as leguminosas”. Mas leite não dá pra parar. Caso de polícia: tão colocando soda, água oxigenada e deixando coliformes fecais no leite longa vida. Mas mesmo assim, amanhã de manhã eu vou beber um copo do branco do puro (puro?).

 

Leite é o primeiro alimento de todo mundo. Já pararam pra pensar nisso? É uma coisa séria. É tão vital como respirar. Tá certo que no início da nossa carreira de bezerro o leite deve ter gosto ruim. Mesmo assim a gente importuna as mães toda hora pra mamar. Essa inclusive é a primeira atitude revolucionária do ser humano. Em alguns casos, a única. O Che Guevara começou assim, lá na Argentina. Primeiro porque tomamos o seio materno dos pais. Depois, porque aprendemos a reclamar, a cobrar, a pedir e a gritar pelo que queremos.

 

O tempo passa e quando poderíamos perder o gosto pelo leite, descobrimos os achocolatados. Confesso que em grande parte da minha vida um dos maiores dilemas foi a preferência entre Toddy ou Nescau. Tive momentos “sabor que alimenta”, e outros “energia que dá gosto”. O mais engraçado é que solucionei a questão quando os dois passaram por crises de identidade. O Nescau ficou mais forte e com mais chocolate em uma versão lançada recentemente. O Toddy saiu do armário geral. Chocolate ao leite, banana, frutas vermelhas, fizeram tantas alterações e novos sabores que conseguiram me convencer que o original não era assim tão legal. Se fosse, então pra quê tantas experiências. Isso deve ter rendido muito investimento em propaganda, pesquisa de mercado e incentivos aos varejistas. Cagada de algum novo consultor mercadológico ou não, na dúvida, tinha coisa errada aí.

 

Durante os anos de dilema entre Toddy ou Nescau, algumas paixões avassaladoras surgiram, como o Brow Cow. Um chocolate líquido que a gente colocava no leite. Ovomaltine Tipo Suíço também era bom. Hoje compro o achocolatado do supermercado Extra.

 

No fundo, leite é um alimento de gente comum. Diria mais: é um alimento de bundão. Bundão no bom sentido, que quer dizer o sujeito tranqüilo, que não se arrisca em aventuras cheias de adrenalina. É aquele sujeito do filme de Faroeste que entra no bar e diz: “me dê um copo de leite”. Os malas do velho oeste debocham, esperneiam de contentamento. Não crêem que virilidade combine com leite. Bebida de bebê (desculpem a cacofonia). Essa idéia é justamente contrária a dos comerciais de achocolatado. Neles, quem bebe é como se fosse um Indiana Jones mirim. Que nada. Quem bebe leite fica em casa e assiste Sessão da Tarde.

 

Que nada. Quem bebe leite é tipo o Boça, do Hermes e Renato.

 

"um copo de leite com achololatado quente!"


Escrito por Pablo Alcântara às 15h18
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Segunda-feira , 22 de Outubro de 2007

O segredo de Minas

 

O segredo das Minas Gerais

É saber guardar um segredo

 

E só o conhece quem imagina,

Quem busca descobrir nos sonhos

O que existe além das montanhas.

 


Escrito por Pablo Alcântara às 14h34
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